Quem é a vítima?
As mulheres:
A violência contra as mulheres é fenómeno complexo e multidimensional.
As mulheres encontram-se, muitas vezes, em situações de violência doméstica pelo domínio e controlo que os seus agressores exercem sobre elas através de variadas formas como: isolamento relacional; o exercício de violência física , psicológica e sexual ; a intimidação; o domínio económico; a violência social; a perseguição.
Os homens:
Apesar da taxa da violência doméstica contra a mulher seja maior, a violência doméstica contra os homens existe.
Os homens vítimas de violência doméstica experimentam comportamentos de controlo, são alvo de agressões físicas e psicológicas. O medo e a vergonha são, para estas vítimas, a principal barreira para fazer um primeiro pedido de ajuda.
As crianças:
As crianças podem ser consideradas vitimas de violência doméstica como:
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Testemunhas de violência doméstica: Tal inclui presenciar ou ouvir os abusos infligidos sobre a vítima, ver os sinais físicos depois de episódios de violência ou testemunhar as consequências desta violência na pessoa abusada;
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Instrumentos de abuso: Um pai ou mãe agressor pode utilizar os filhos como uma forma de abuso e controlo;
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Vítimas de abuso: As crianças podem ser física e/ou emocionalmente abusadas pelo agressor (ou mesmo, em alguns casos, pela própria vítima).
As pessoas idosas:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a violência contra as pessoas idosas como:
“A acção única ou repetida, ou a falta de resposta adequada, que causa angústia ou dano a uma pessoa idosa e que ocorre dentro de qualquer relação onde exista uma expectativa de confiança.”
A violência contra as pessoas idosas tem sido classificada em diferentes tipos – violência física; violência psicológica; violência sexual; violência económica ou financeira; negligência; abandono – podendo estes surgir isoladamente ou combinados. "
Pessoas LGBIT ( Lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo ) :
A violência contra pessoas LGBTI, assume características iguais a qualquer ato de violência entre parceiros íntimos. Mas existem alguns aspectos distintivos na violência doméstica nos casais de pessoas LGBTI:
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O "outing " como instrumento de intimidação:
Esta é uma estratégia de violência psicológica específica dos casais de lgbti : revelar ou ameaçar revelar a orientação sexual do seu parceiro. Assim, se um/a dos parceiro/as não fez ainda o "outing", ou seja, não revelou a sua homossexualidade no seio da sua família, com os seus amigos ou no trabalho, o/a agressor/a pode utilizar a ameaça de denunciar a vítima como um forte instrumento de controlo e de intimidação;
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A questão do/as filho/as
No caso de casais com filho/as, a ameaça de cortar os laços da vítima com a(s) criança(s), o que pode ser particularmente violento se a vítima não for legalmente reconhecida como pai ou mãe dos/as seus/suas filhos/as.
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A ligação entre a sua identidade sexual e violência
Muitas vítimas culpabilizarm-se pelo facto de estarem a ser vítimas de violência doméstica devido a serem gays, lésbicas ou trans.
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Violência doméstica como problema dos heterossexuais
Quando se fala de violência doméstica fala-se sobretudo da violência exercida pelo agressor homem contra a vítima mulher em relacionamentos hetero – a mais conhecida e com maior representação estatística –, podendo mesmo acreditar-se que as relações entre pessoas LGBTI, supostamente mais equalitárias, estarão a salvo deste tipo de problemática. Por outro lado, pode considerar-se (erradamente) que o uso da violência física, é uma característica masculina, pelo que, menos provável nas relações lésbicas.
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O isolamento e a confidencialidade da comunidade LGBTI
Muitas vezes, a pouca comunicação com a comunidade LGBTI a que agressor/a e vítima pertencem pode dificultar o pedido de ajuda por parte da vítima.
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O estigma na procura de ajuda : : As vitimas LGBTI podem ter receio e dificuldade em pedir ajuda em organizações públicas e privadas, porque associam a experiências anteriores de descriminação ou pedidos de ajuda sem sucesso, o que leva ao seu isolamento e vulnerabilidade.
Fonte : APAV ( Associação de Apoio À Vítima )
